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Vale a pena usar o FGTS para comprar um imóvel à vista?


Pergunta da leitora: “Posso usar o FGTS para pagar um imóvel que não será financiado? Vale a pena?”

Resposta de Marcela Kawauti*:

Usar o FGTS para pagar imóvel é uma boa ideia. O FGTS rende muito pouco. Para se ter uma ideia, em 2018, o rendimento de cerca de 3% desse fundo ficou abaixo da inflação, que foi de 3,75%. Quando o seu dinheiro fica parado no FGTS, ele desvaloriza, ou seja, perde poder de compra.

Considerando apenas esse ponto, já dá para dizer que vale a pena usar o FGTS para comprar imóvel. A isso, se soma a falta de outras alternativas para usar esse dinheiro. Além de imóveis, só dá para usar o FGTS para aposentadoria, doenças graves ou demissão sem justa causa. Isso quer dizer que muita gente tem que esperar longos anos até poder resgatar esse valor.

Na compra de imóveis, esse dinheiro pode servir, sim, para o pagamento integral de um imóvel, para que você não fique preso no financiamento. Isso quer dizer que, se você tem todo o valor necessário depositado na sua conta do FGTS, pode quitar seu imóvel de uma única vez, desde que ele esteja dentro dos parâmetros do Sistema Financeiro da Habitação.

Por exemplo, o imóvel não pode ultrapassar um determinado valor e você não pode ter um outro imóvel na cidade de residência. Vale a pena checar também se o valor disponível é suficiente para cobrir não somente o valor do imóvel, mas também eventuais taxas bancárias dessa transação.

Mas, mesmo que você não tenha o valor total, o FGTS pode ser uma boa ajuda para realizar o sonho da casa própria, seja como valor de entrada ou para abater ou antecipar o valor das parcelas. 

Por fim, apenas uma ressalva. O resgate do FGTS para a compra do imóvel fará com que você não tenha essa reserva na aposentadoria, ou em caso de desemprego, por exemplo. Por isso, ainda que valha a pena usar o FGTS para comprar a casa própria, você deverá fazer uma reserva financeira para ser usada caso você tenha um imprevisto.

*Marcela Kawauti é economista-chefe do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e colabora com o portal Meu Bolso Feliz.

Fonte: Exame.abril